Ok, vocês já viram o sucesso do meu bom amigo Rodrigo Maia na Computer Arts e no FlavorWire.
Mas ele se manteve humilde quando eu resolvi fazer umas perguntas mais aprofundadas. Você pode conhecer todo o projeto New Records Old Covers no Tumblr especialmente criado para ele.

RHG: Qual a sua relação com a estética de jazz covers? Quais os elementos que você mais preza daquela época?
Quando descobri o trabalho do Reid Miles, foi paixão ao primeiro Duotone, a força do elemento fotográfico, a tipografia que aparenta simplicidade, mas esconde um grid rígido e complexo, e a capacidade de transmitir o “mood” das gravações contidas nos LPs com poucos elementos. Miles nos deixou uma lição muito valiosa, que na minha opinião, é o valor do elemento tipográfico e fotográfico, e força que eles podem ter quando não há nada no caminho.
RHG: Como é a sua estruturação de brainstorming? Você pensa em formatos? Cores? Detalhe para a gente um pouco de como é dentro da sua cabeça.
Tudo começa com esboços bem rápidos a lápis, tentando encontrar uma composição que funcione com os nomes das bandas e dos álbuns, pensando principalmente na quebra de palavras e na massa do texto. As cores são um processo um pouco mais complexo. Cada álbum soa de uma cor pra mím, e são essas cores que sigo. É uma coisa quase sinestésica, só que sem a parte que eu vejo as cores ao meu redor (o que seria incrível, por sinal).
RHG: Como você acredita que o bom design pode se relacionar com o século XXI, onde as imagens e palavras são cada vez mais efêmeras no meio digital?
Acho que temos que lembrar dos antigos mestres (Miles, Crowel, Vignelli, e tantos outros) e lembrar que Design deve sim, seguir uma função. Com o cenário que temos hoje em dia, com cada vez mais informaçoes sendo enfiadas em nossas retinas, quanto mais direto e simples for o layout, melhor ele vai passar pelos muros de rúido que criaram (e que nós mesmos criamos) ao nosso redor.
RHG: Como você pensa na nova representação para a banda? A identidade sonora entra como referência no seu processo de identidade visual? E a identidade visual
já criada pela banda, onde ela fica no processo?
Quando escuto um álbum, ele automaticamente cria um universo paralelo próprio dentro de mím. Um álbum de Dark Jazz me leva para um bar com poltronas de couro, um álbum do Fleet Foxes ou Iron & Wine me leva para uma cabana no meio do nada, e por aí vai, e isso reflete no que quero passar com a nova apresentação, quero passar por meio de formas e cores o que eu senti por meio de acordes e notas. Quanto a identidade já criada pela banda, tento não leva-la em conta, e trabalhar a partir de uma tela em branco.
RHG: E por último: quais são três destrezas profissionais que todo e qualquer designer deve possuir?
Poder de síntese, capacidade de adaptação e uma legítima e cegante paixão pelo que faz.